A questão de soberania de uma nação está constantemente no centro de debates em todas as classes. Não se trata somente de um discurso ufano, mas reporta às implicações e consequências de investimentos ou não investimentos na chamada Indústria de Defesa. Faz parte da natureza humana disputas, lutas e imposições de opiniões, sejam entre pessoas, empresas e governos. Sempre haverá conflito.
Esses confrontos têm atuação entre fronteiras e também internamente, com todo um grau de dramaticidade possível.
Historicamente, o Brasil conta com as melhores indústrias de defesa no mundo, a Imbel, do Exército, e a Emgepron, da Marinha. Esses centros de excelência tecnológica possuem extraordinário poder de prontidão. Ao mesmo tempo desenvolve tecnologias avançadas de logística, um dos principais aspectos de sucesso na defesa de ataques hostis.
Para o setor industrial, a área militar representa impressionantes avanços tecnológicos, aplicados maciçamente no segmento civil, com ganhos de competitividade entre empresas e países. Para o Estado, a questão assume primordial importância, já que investimentos importantes em tecnologia na indústria bélica e treinamentos em operações militares podem dar uma clara mensagem de desestímulo a outros Estados no desejo de ataques ou ameaças.
Atualmente, o Brasil vive uma promessa de ressurgimento da capacidade de geração da sua indústria de defesa. Entre os vários argumentos possíveis para essa mobilização estão aspectos geopolíticos, como a mobilização da Venezuela em compras intensivas de artefatos bélicos e, ainda, as recentes manobras militares dos Estados Unidos no novo acordo com a Colômbia.
Ao mesmo tempo, há razões econômicas e empresariais muito importantes para esse reaparelhamento. Não é coincidência o fato de que o Brasil retoma em passos largos a intenção forte de aquisição de equipamentos militares em uma bilionária concorrência internacional. Vemos que, prioritariamente, o País iniciará a construção de submarinos, um com propulsão nuclear e, ainda, anunciadas compras de helicópteros e jatos de guerra.
Prever que além de possibilitar um melhor monitoramento nas fronteiras com nossos vizinhos, permitirá autonomia de defesa e ataque no extenso mar territorial brasileiro, importante mecanismo de proteção às novas jazidas de petróleo e gás na chamada área do Pré-Sal.
Significa dizer que nossa extensão territorial continental exige posicionamento firme e com capacidade de desestimular ingerências e ameaças ao nosso território, e também à nossa infraestrutura produtiva de vital importância, como a exploração e produção de energia, nesse caso representada pelo potencial do petróleo e gás.
Não se trata de manter postura de manobras ofensivas, mas ao contrário, ostensiva. Evidentemente que isso repercutirá em diversos discursos contrários de outras nações, mas que não deverão abalar as relações diplomáticas. Ao mesmo tempo, supõe que servirão para justificar internamente que outros países saiam às compras.
Para que não haja possibilidade de temer eventuais ataques é que o Brasil apresenta seu Plano Estratégico de Defesa, Decreto nº 6703/08, que em um dos seus três eixos principais fortalece a re-estruturação da indústria brasileira de material de defesa. Vive-se em um mundo em que a intimidação tripudia sobre a boa fé. A adequada formação da mobilização nacional é um dos fatores impeditivos de qualquer intimidação.
O Brasil é uma Nação pacífica, que tem obrigações de manutenção da ordem e da Soberania, instrumentos estruturantes do seu desenvolvimento.
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